Fotografo: Agência O Globo
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Presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa ao chegar em Riade

O presidente Jair Bolsonaro jantou na noite de segunda-feira com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita , Mohammed bin Salman , governante de fato da monarquia do Golfo Pérsico. Segundo o presidente, "a reunião muito boa e descontraída" terá continuidade na tarde desta terça-feira (manhã de terça-feira, no horário de Brasília), durante uma reunião de negócios com o príncipe.

— Temos uma reunião de negócios hoje à tarde. Todo mundo gostaria de passar uma tarde com um príncipe. Especialmente vocês mulheres, né? — disse o presidente dirigindo-se às jornalistas que cobrem a visita. — Tenho uma certa afinidade com o príncipe. Em especial depois do encontro em Osaka  — completoi Bolsonaro, referindo-se à reunião dos dois na última reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), em junho, no Japão.

Bin Salman foi apontado por peritos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU como suspeito de ordenar o assassinato do jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi, visto pela última vez com vida dentro da consulado saudita em Istambul, em outubro de 2018. Seu corpo foi esquartejado e removido do prédio e seus restos mortais não foram encontrados.

Em junho, a ONU divulgou um relatório em que diz ter encontrado "provas confiáveis" do envolvimento do príncipe herdeiro na morte do colunista do Washington Post, classificando o crime como um "um assassinato extrajudicial pelo qual o Estado da Arábia Saudita é responsável sob a lei internacional dos direitos humanos".

Na véspera, Bolsonaro elogiou as mulheres repórteres que o acompanham na viagem por usarem a abaya, traje obrigatório na Árabia Saudita que consiste em uma longa túnica de mangas compridas que cobre todo o corpo, com exceção de rosto, pés e mãos. No país, vigora a forma mais fundamentalista do islamismo, o wahabismo, que está também na origem da ideologia da al-Qaeda e do Estado Islâmico.