Fotografo: Reprodução
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Conselho de Enfermagem inicia investigações sobre queda de bebê em maternidade de Belém

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Pará abriu um procedimento para investigar as responsabilidades da profissional técnica que cuidava da bebê que caiu de uma incubadora, na UTI neonatal de uma maternidade particular em Belém. A cena foi mostrada no último domingo (27) no Fantástico, e está sendo investigado pela Polícia Civil do Pará como lesão corporal, omissão de socorro e abandono de incapaz. Os pais da criança também entraram com um processo cível pedindo indenização ao hospital.

Segundo a presidente do Coren, Danielle Cruz, as imagens não deixam dúvidas de que houve negligência no procedimento adotado pela equipe médica antes e depois do acidente. "O profissional deixou de realizar uma atividade que deveria ter realizado, pois o procedimento correto deveria já começar os exames para saber qual o estado da criança, mas a reportagem mostra que teve uma certa demora", afirmou. Após as investigações, a profissional pode sofrer uma censura ou até a cassação do exercício profissional, segundo Cruz.

Nas imagens, a técnica de enfermagem carrega uma bebê de três meses no colo, coloca a criança na incubadora e tranca só um dos lados. A menina se mexe e cai de uma altura de 1,40 metro no chão. A médica resgata a bebê e entrega para a técnica de enfermagem, até que a mãe chega e ninguém explica o que aconteceu.

Quando viu a filha machucada, a mãe Jéssica Machado entrou em pânico. "Eu só quero saber o que aconteceu. A técnica disse que não tinha acontecido nada, que a minha filha simplesmente estava deitada na incubadora e encostou na portinha, o que teria formado aquele ferimento", disse.

O caso aconteceu em maio deste ano. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que a bebê fraturou o crânio e teve um hematoma no couro cabeludo.

Segundo a Polícia, a médica negou que mentiu para a mãe sobre a queda. Já a técnica de enfermagem disse, em depoimento, que trancou a incubadora e que, de acordo com o protocolo, quem deveria contar à mãe seria a médica.

"A verdade deve ser dita por todos ali, mas no momento o profissional que deveria fazer o repasse das informações deveria ser o profissional de nível superior, no caso a médica", disse Cruz, presidente do Coren-PA.

O Hospital Saúde da Criança não informou se alguém da equipe médica foi afastado, mas disse que os profissionais estão treinados e atualizados nas mais modernas técnicas de atendimento médico. O hospital disse ainda que a maternidade agiu com total transparência prestando assistência médica e psicológica necessária, com o devido acompanhamento da família, até a alta médica da paciente.

O pai Roberto Machado disse que o acidente causou revolta. "O que nos causou realmente muita tristeza e revolta é a omissão, queríamos saber o que aconteceu, afinal de contas somos os pais", comentou.

A criança que nasceu prematura, com problema de refluxo, tem oito meses e está bem. Para o pai, a sobrevivência é um milagre. "Nós a consideramos uma verdadeira vitoriosa, a prova viva de um milagre", afirmou.